Cuidados que você deve tomar ao utilizar Framework PHP para desenvolver seus sistemas

Cuidados que você deve tomar ao utilizar Framework PHP para desenvolver seus sistemas

Usar ou não usar um framework PHP? Essa é uma questão muito debatida dentro da comunidade de desenvolvedores dessa linguagem.

Mas por que a polêmica? Objetivamente, quais são as vantagens e as desvantagens do uso de um framework no desenvolvimento de aplicações?

Este é o tema a ser abordado no texto que segue. Acompanhe.

Sobre o framework PHP

Por framework podemos entender uma estrutura, plataforma ou base de apoio. No caso do framework PHP, trata-se de um conjunto de facilidades que torna o desenvolvimento de aplicações mais produtivo.

PHP é uma linguagem de programação bastante simples, e é essa simplicidade que torna improdutiva a codificação de aplicações mais complexas. Por isso existem os frameworks.

Um framework PHP é especialmente útil para:

  • O desenvolvimento rápido de aplicações;
  • A criação de aplicações sólidas e seguras;
  • A redução da repetição de códigos.

Frameworks PHP são baseados no modelo MVC (Model, View, Controller), que segrega a codificação de aplicações em três camadas distintas:

  • O Model, que faz a interface com o banco de dados;
  • O View, que corresponde à camada de exibição;
  • O Controller, que contém essencialmente as regras de negócios.

Frameworks, API’s e bibliotecas

Esses três termos são, por vezes, utilizados como sinônimos e é compreensível que isso ocorra. Afinal, todos eles apontam para uma mesma ideia final: a de evitar que um desenvolvedor reinvente a roda, preferindo recorrer a soluções já desenvolvidas.

Por outro lado, em outros contextos, mais específicos e técnicos, convém diferenciar um do outro.

Biblioteca é um conjunto previamente codificado de funcionalidades, normalmente de uso genérico e frequente.




Utilizar funcionalidades de uma biblioteca elimina a necessidade de reescrever código e estabelece uma padronização de comportamentos da aplicação.

Um exemplo típico de funcionalidade de uma biblioteca, entre tantos, seria a função que exibe mensagens na tela para o usuário.

A API (Aplication Programming Interface) já é uma solução fechada e para uma finalidade específica.

Por exemplo, uma API do Google Maps pode fornecer informações sobre localização geográfica.

Por sua vez, o framework é um conjunto de padrões adotados para agilizar a construção de aplicações. Bibliotecas e API’s podem fazer parte de um framework.

Principais frameworks PHP no mercado

Podemos classificar os principais frameworks PHP disponíveis no mercado em duas categorias:

  • Os frameworks back-end, que oferecem recursos como lógicas para login, sessão, compactação de imagens e conexão a gerenciadores de banco de dados, entre outros. Exemplos:
    • CodeIgniter;
    • Laravel;
    • Zend Framework;
    • Cake PHP.
  • Os frameworks front-end, que oferecem recursos mais voltados para a camada de exibição das aplicações. Exemplos:
    • Bootstrap;
    • Foundation;
    • Materialize CSS.

Vantagens do uso de um framework PHP

Entre as principais vantagens na utilização de um framework para desenvolvimento em PHP, podemos citar:

  • A qualidade: um bom framework normalmente adota as melhores práticas da linguagem;
  • A segurança: bons frameworks oferecem recursos para garantir a integridade das aplicações;
  • A flexibilidade: é possível desenvolver bibliotecas próprias dentro do framework;
  • A documentação: frameworks oferecem boa documentação de suas implementações;
  • A comunidade de usuários: os fóruns e grupos de discussão são ótimas referências para se tirar dúvidas;
  • O padrão: frameworks normalmente permitem o desenvolvimento de aplicações com padrões definidos, estáveis e organizados;
  • O controle de qualidade: a própria comunidade de usuários, ao utilizar o framework, vai assegurando que ele seja continuamente testado e melhorado;
  • A produtividade: com muitas soluções prontas ou quase prontas, as aplicações ou partes delas podem ser construídas rapidamente.

Desvantagens do framework PHP

Do lado das desvantagens, podemos citar como principais:

  • O desestímulo ao aprendizado da linguagem: principalmente para desenvolvedores em início de carreira, o framework, com seus atalhos e facilidades, pode desestimular o pleno domínio dos recursos da linguagem;
  • A limitação de conhecimentos: da mesma forma, ao acostumar-se a utilizar um determinado framework, o desenvolvedor pode enfrentar dificuldades quando se deparar com uma situação em que não possa utilizá-lo;
  • A curva de aprendizagem do próprio framework: pode parecer algo sem muito impacto, mas frameworks são diferentes uns dos outros;
  • O conhecimento incompleto do framework: desenvolvedores adotam frameworks pensando naquilo que poderão aproveitar, mas o ideal é conhecer o framework por completo, para que ele não venha a ser uma caixa preta, com comportamentos inesperados para a aplicação;
  • Dificuldades de configuração: nem sempre os frameworks são fáceis de configurar; algumas vezes, eles se comportam de uma forma no ambiente de desenvolvimento e de outra no de homologação, por exemplo;
  • As constantes atualizações: novos frameworks e atualizações dos já existentes são disponibilizados a todo momento, criando uma miscelânea de difícil administração por parte de consultores e desenvolvedores;
  • O excesso de recursos: alguns frameworks foram pensados para oferecer todo tipo de solução. O resultado é que eles podem sobrecarregar a aplicação, a ponto de comprometer seu desempenho.

Usar ou não usar frameworks?

Não há uma resposta única para a questão. Existem diferentes situações e existem diferentes pontos de vista para uma mesma situação. Por exemplo:

  • Empresas adotam frameworks pensando no ganho de produtividade e na padronização que de alguma forma ameniza os efeitos da rotatividade de profissionais.
  • Por sua vez, para um consultor que dá suporte a diferentes clientes e cada um usa um framework diferente, talvez o ideal fosse que existisse um único framework no mercado;

A favor do uso de frameworks, o argumento de não levar o desenvolvedor a reinventar a roda é de fato muito forte.

Porém, ao adotar um framework, esse desenvolvedor adquire, não só a roda de que tanto necessitava, mas uma coleção inteira de rodas das quais ele certamente não vai precisar.

Além disso, esse “sobrepeso” dos frameworks que não tem utilidade para a aplicação, acaba por comprometer seu desempenho, conforme já citado.




Pensando então no desempenho da aplicação e no consumo de recursos de processamento, evitar o uso de frameworks, sempre que possível, pode ser uma solução.

Para aplicações pequenas, por exemplo, o mais sensato pode ser não adotar framework algum.

Outra solução, adotada por alguns desenvolvedores, é criar um framework próprio, customizado.

A opção pelo framework próprio

Desenvolvedores que já têm alguma experiência acumulada certamente criaram um padrão próprio de trabalho.

Pois esse padrão próprio pode vir a ser um framework customizado, que o desenvolvedor pode ter à mão sempre que precisar.

Mais uma vez, o único senão para essa iniciativa reside no fato de que a aplicação se torna muito dependente de seu desenvolvedor original.

Mas isso também pode ser contornado, caso o desenvolvedor original produza uma boa documentação de suas implementações.

Concluindo…

O risco de sobrecarga e perda de desempenho não pode ser ignorado no desenvolvimento de aplicações em PHP.

Portanto, se o risco é real e está associado ao uso de um framework PHP, há que se chegar a uma solução, seja pelo não uso de um framework, seja pela criação de um framework customizado.

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